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Hellboy: mais demônio (gene) ou mais humano (criação)?

6
set

Hellboy e liz

Assisti Hellboy 2 mais pelo apelo de ter sido dirigido pelo mesmo diretor do excelente “O Labirinto do Fauno”, Guilherme Del Toro. O visual do filme é fantástico, a história não muito, o que faz o filme, na média, valer a diversão.

Mas além dos efeitos, o filme levanta algumas questões que podem interessar:

Minha espécie de coração

Um dos dilemas vividos pelo demônio-anti-herói Hellboy diz respeito a sua origem. Sendo uma criatura mágica, ele defende o mundo humano contra seus próprios colegas do mundo fantástico. E acaba se perguntando se está do lado certo. Este conflito lembra a eterna briga entre a influência dos genes e a influência do ambiente na formação pessoal. Hellboy tem os “genes” de demônio, mas foi criado como outra espécie, como um humano e age como nós. Seria um traidor da sua raça ou não teve escolha por ter sido criado assim?

O genoma dá os parâmetros, que serão trabalhados pelo ambiente. Os genes não são implacáveis, mas dão sim possibilidades e limitações que serão testadas e alteradas pelo ambiente. Ambos interagem e se completam.

Assim, a biologia não pode resolver o problema do grandalhão vermelho. Peço desculpas.

Come agora ou quer que embrulhe?

Até aqui só revelei do filme o que está escrito nas sinopses. Não contei nada que estrague o filme se você quiser assisti-lo. Mas este trecho é pra quem já viu ou pra quem gosta de ler o final do livro antes de chegar ao fim (comportamento que eu nunca vou entender).

Outra parte que me chamou atenção foi a pergunta que uma criatura faz à mocinha quando Hellboy está morrendo em seus braços: “Sabendo que o destino dele é destruir o mundo, mesmo assim você quer que eu o salve?” Claro que a romântica Liz (Selma Blair) quer seu namorado de volta.
Mas que maldita, condenar a humanidade simplesmente para não ficar solteira?! Bom, duas coisas aí: Primeiro ela pode não acreditar em destino; e segundo, ela está pensando no imediato mais seguro, ao invés de apostar no futuro incerto. É a mesma atitude de quem faz esportes radicais que envolvem certo risco, por exemplo. Tem gente na Psicologia Evolucionista que estuda este tipo de atitude, chamada de “desconto de futuro”:

“E por que preferir pelo mais imediato seria adaptativo? Porque a reprodução prévia normalmente produz taxas mais altas de descendentes em vez da reprodução tardia (…). Além disso, quanto mais tardia for a procura por recursos ou benefícios, maior será o risco de perdê-los por completo, pois o animal pode morrer antes ou o recurso ficar indisponível. Como resultado a indiferença em relação ao futuro pode encorajar formas imprudentes e violentas de tomada de risco.

Esta indiferença é a base do princípio do Desconto de Futuro. (José Henrique B. P. Ferreira, revista Psique no 21)”

Ou seja, na dúvida, melhor garantir comendo agora do que pedir para viagem. Nunca se sabe o que pode acontecer no caminho.

Darwin e Hellboy: separados no nascimento

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