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Citrus

Ornitocast - A ciência na cultura útil e na inútil

22
set

Ciência é cultura, e pode ser cultura inútil também!

É o que vamos deixar claro neste novo podcast. Rafael Soares, o Fafá (biólogo molecular) e Emílio Garcia, o Cabeça (ecólogo), trarão sempre convidados especiais para falar os maiores absurdos, tendo como pano de fundo a sacrossanta Ciência.

O objetivo não é dar informações precisas nem ensinar ninguém, mas sim mostrar que podemos dar boas risadas com química, a física, a biologia ou mesmo, e principalmente, das besteiras que se fala delas por aí.

Aprendeu algo? É, as vezes acontece… Desculpe qualquer coisa.

Ornitocast 1- Animais esdrúxulos.

[audio:http://www.blogcitrus.com.br/wp-content/uploads/2008/09/Ornitocast_01_AnimaisEsdruxulos.mp3]
Baixe o Ornitocast aqui

Chega de bancar o biólogo bonzinho! Neste podcast, Emílio (Cabeça), Rafael (Fafá), Jaime (El Ractus), Marco (Bravata) e Paulo (Espião Alemão); vão descarregar toda sua fúria com animais que irritam ou nos deixam no mínimo desconcertados.

Ornitorrinco? Lemmings? Dodô? Tenham dó! Servem só para designers de jogos ou filmes ganharem dinheiro. Quer saber sobre eles? Wikipedia, meu amigo.

Afinal, girafas realmente existem? Sua origem está ligada a Chuck Norris? Para saber use a tática ornitocast: para algo existir deve haver necessariamente um filme pornô sobre.
Este podcast também inclui uma idéia para roteiro de filme pornô de salamandras. Tirem as crianças da sala (brincadeira, a censura deste podcast é de 12 anos).

Problemas técnicos desta versão beta:

1- Você tem que entender que este é o primeiro, por isso o som está ruim sim. Mas os próximos estão sendo gravados com qualidade de DVD (exagero). A prática leva à perfeição, e daqui pra frente o som será melhor.

2- Não há previsão para o aumento da qualidade das piadas. Desculpem o transtorno.

3- Apesar disto tudo, este primeiro vai ao ar devido a sua importância historiográfica e epistemológica.

Links:
Girafas, a conspiração: maquete / montagem / acabamento

Extinção dos dodôs (Era do Gêlo)

O espirro do panda

Lemmings, o jogo (pra você que tem menos de 20 anos)

Arte não, “Visualização Científica”. Mas e Duchamp?

19
set

"A Fonte" de Duchamp, e a micrografia do menor penico do mundo

"A Fonte" de Duchamp, e a micrografia do menor penico do mundo

Quando um pesquisador faz um experimento, ele quer VÊR o resultado. Coisa as vezes muito difícil no mundo científico, já que os objetos de estudo podem ser muito pequenos, ou muito grandes ou invisíveis mesmo. Mas muitas técnicas foram surgindo ao longo do tempo para resolver este tipo de problema. Transformar o infinitamente pequeno e invisível em algo que nossos olhos possam captar. Assim vemos o resultado, e às vezes ele é bonitinho. Muito bonitinho.

Felice Frankel que o diga. Pesquisadora do MIT ela já fez várias capas para grandes revistas científicas (Nature, Science, Physics Today). A imagem do Post-prólogo desta série sobre fotografia é dela. Mesmo tendo ganhado fama com este tipo de trabalho, ela afirma que isto não é arte. O nome correto seria “Visualização Científica”.

“Não é arte porque se trata de um fenômeno”, diz ela. “Arte tem mais a ver com o criador, não necessariamente com o conceito na imagem.” (entrevista no New York Times, via Cocktail Party Physics)

Concordo. Mas daí eu fui à exposição do Marcel Duchamp, e a minha cabeça explodiu.

Fora de contexto

Esse cara é o artista mais influente dos séculos XX e XXI, e tudo se deve a pergunta que ele fez e que mudou o mundo da arte: “Pode alguém fazer obras que não sejam ‘de arte’?”
O que ele fez: pegou objetos comuns, como um mictório, o assinou e o colocou num museu. Pronto, virou arte! A obra chamada “Fonte” se justifica por tirar o vaso do banheiro e mudar o seu contexto.

Logo, se colocarmos uma imagem de visualização científica neste blog, ela passa a ser arte?
Só mudar de contexto já basta, ou deve haver um conceito ou uma emoção por trás da imagem de arte?

Independente destas respostas, para o pesquisador sempre haverá uma relação emocional com a imagem, mais pelo resultado que pela estética. Por exemplo a alegria ao fotografar uma onça na calada da noite com uma câmera-trap, ou desapontamento pleno quando sua célula está marcada com um lindo vermelho, quando na verdade o resultado esperado seria o verde.

Fotografia e ciência: Prólogo

19
set

ciencia x arte

de Felice Frankel

Linda esta foto aqui em cima, não?!
Pena não ser uma obra de arte.

Pelo menos não de acordo com a sua criadora. Afinal isto nada mais é que uma foto de um experimento com magnetismo: 7 imãs sobre um papel amarelo com um líquido magnético em cima. É o líquido preto que toma estas formas em resposta aos imãs.

Vez ou outra aparecem experimentos com imagens estonteantes:

  • Micrografias de microscópios de varredura são sempre interessantes

  • Células com sondas fluorescentes para marcar moléculas específicas

  • Fotos de estudos de zoologia ou ecologia com animais em poses muito elegantes ou exóticas

Muito estético, mas é arte?

Este é a primeira de uma série de postagens sobre este tema fotográfico. Usaremos todo nosso networking de artistas, fotógrafos e afins para responder a estes pobres cientistas “quando uma foto é arte e quando é apenas um dado?”

Assim, quem sabe, possamos começar a responder uma pergunta maior: que raios é arte, e como a ciência pode interagir com ela?

Leia as postagens neste assunto:

Arte não, “Visualização Científica”. Mas e Duchamp?

Arte é intenção

A Beleza inerente à Ciência

Quando Arte e Ciência se encontram

A Bíblia vista pelo Google Earth

18
set

Como assim? O Édem e o dilúvio são só parabolas do antigo testamento?

Mas eu vi fotos do Google Earth!

Moises abrindo o mar

barca de Noé

barca de Noé

crucifixão

crucifixão

É, não se pode acreditar nem no Google…

Calma, claro que são trabalhos de arte. Veja mais aqui.

Mas sempre duvide de seus olhos.

LHC ao vivo. Veja!

12
set

O super-mega-master colisor de hádrons. Tá com medo que ele acabe com o mundo? Veja esses vídeos e se certifique.

A vida das aranhas, agora em português!

11
set

Cuidado com os documentários. Nunca se sabe o que é informação real. Ainda mais agora que o formato “documentário BBC” ficou tão manjado, que fica fácil copiar e confundir as pessoas.
Veja este vídeo (traduzido pelo Gabriel especialmente para o Citrus), até o fim para entender o que eu digo.

Acelerador de partículas. Não foi o fim do mundo, mas podia ter rolado uma cerveja

10
set

Mesa redonda da abertura no Brasil, Suíça no telão

Mesa redonda da abertura no Brasil, Suíça no telão

-Sim, eu fui na inauguração do LHC, o Grande Colisor de Hádrons.
-Leitor: “Mas porque se você nem é físico?!”
-Pelo mesmo motivo que eu assisto Olimpíadas. Porque você assiste olimpíadas?
-Leitor: “_____ - (aqui você, leitor, preenche sua resposta de preferência)”

Eu acho que este argumento das olimpíadas já responde muito da questão “Para que um troço deste?” que é feita pelos não-físicos. Pergunta justa, já que muito tempo (mais de 20 anos) e dinheiro (6 bilhões de euros) foram gastos. No quesito dinheiro até que não foi nada exorbitante, como podemos ver aqui no Glúon (lista de coisas mais caras que o LHC e que não desvendam nem as bases do universo).

Este é o maior experimento científico já feito pelo homem. No meu mundo ideal, e eu, otimista, sei que um dia isso vai acontecer, um evento como este teria tanta atenção do povo como a abertura de uma Olimpíada.
Imaginem. Milhares de pesquisadores e teóricos esperando para ver se seus modelos estão certos ou errados, resultados inesperados, novas partículas ou novas dimensões encontradas. Ninguém sabe o que vai dar, mas, melhor ainda, sabemos que algo muito importante com certeza vai acontecer. E em pouco tempo! Não dá pra sentir um frio na barriga?

Sobre o evento: bastidores no Brasil

Claro que eu não estava na Suíça para conferir o evento. Ele foi transmitido ao vivo, via web, para o mundo todo. E aqui em São Paulo, os físicos que estão envolvidos com o projeto organizaram um “telão com pipoca” para a massa jornalística e leiga (fui maldoso com a “pipoca”, pois foi servido um laudo café da manhã).

Poucos apareceram, mas foi uma experiência interessante. Bom ver que físico de partículas são gente como a gente. Muito simpáticos, acessíveis, dispostos a conversar, mesmo com um pobre biólogo que nunca passou do grosseiro nível das moléculas. Faltou glamour, é verdade. Mais gente, mais festa, mais aplausos a cada etapa do teste que era vencida. Este seria o mais justo. Quem sabe até uma narração do Galvão, talvez: “Lá vai o feixe, se aproximou do detector, E BÓÓÓÓÓSON! E É DE HIGGS!!!”

Não sei se teve um Happy-hour fechado, mas podiam ter comemorado com uma cervejinha mais tarde. A mudança nos paradigmas da física merece!

E PRA ACABAR DE VEZ COM O ESTERIÓTIPO DOS FÍSICOS, segue o vídeo do Rap do LHC. SOM NA CAIXA!

Links:

Melhor texto do colisor em português até agora: Dúvida razoável

n-Dimensional

E por todo o Lablogatório

Spore - editando a evolução, mesmo sabendo que a evolução não tem editor

9
set

O jogo mais esperado do ano – Spore – nada mais é do que um simulador da criação.

No jogo você pode se sentir um pouco deus e conduzir a evolução de um organismo, desde a sua origem unicelular, passando pela conquista da terra, civilização, até a conquista do espaço.

Esta é a mais nova empreitada de Will Wright, o criador de Sim City, e The Sims, os simuladores mais famosos do mundo dos jogos.O primeiro permitia controlar uma cidade, o outro simular uma vida humana. O próximo passo lógico seria mesmo simular A Vida. Seu surgimento e desenvolvimento.
E do mesmo jeito que estes jogos foram se aperfeiçoando, Spore é o ápice desta evolução.

Hoje um rabo, amanhã uma perna

Extremamente complexo, permite variações infinitas de formas e enredos. O Criador de Criaturas é um bom exemplo do poder do jogo. Neste editor de bichos, as possibilidades são infinitas, mesmo nesta versão demo disponível grátis (baixe e divirta-se). Interessante que as formas de vida extraterrestres presentes no jogo, foram criadas por jogadores testando o tal Criador de Criaturas pelo mundo. Estas foram ranqueadas e votadas pelos usuários, num tipo de competição e seleção virtual on-line.

Mas mesmo tendo um forte apelo científico, não se engane. O principal apelo do jogo, que é poder controlar a evolução, é justamente seu ponto-fraco científico. A evolução real não é guiada. Nela as formas biológicas aparecem de formas variadas, e são selecionadas no ambiente. Parecendo terem sido criadas especialmente para tal ambiente, quando na verdade muitas outras apareceram, mas sumiram do mapa por competição.

Claro que isto não tira o mérito do jogo. Pelo menos ele mostra que as criaturas EVOLUEM, mudam, interagem e se adaptam.

Desafio: Biólogos contra a rapa!

Por ter este apelo tão biológico, lanço um desafio. Nós, biólogos, contra os não-biólogos. Quem será que consegue desenvolver seu organismo melhor, os computeiros com suas estratégias de World of Warcraft, ou os biólogos com seus fundamentos de ecologia, zoologia e evolução?

Que vença o melhor!

Links:

O que é e o que não é ciência em Spore: RNAm

Crítica e análise do jogo no Gamespot
Crítica e análise da ciência no jogo, na Seed
Spore Ads no Comlimão

Ahhh agora tá explicado!

7
set

Dica do Atila

Hellboy: mais demônio (gene) ou mais humano (criação)?

6
set

Hellboy e liz

Assisti Hellboy 2 mais pelo apelo de ter sido dirigido pelo mesmo diretor do excelente “O Labirinto do Fauno”, Guilherme Del Toro. O visual do filme é fantástico, a história não muito, o que faz o filme, na média, valer a diversão.

Mas além dos efeitos, o filme levanta algumas questões que podem interessar:

Minha espécie de coração

Um dos dilemas vividos pelo demônio-anti-herói Hellboy diz respeito a sua origem. Sendo uma criatura mágica, ele defende o mundo humano contra seus próprios colegas do mundo fantástico. E acaba se perguntando se está do lado certo. Este conflito lembra a eterna briga entre a influência dos genes e a influência do ambiente na formação pessoal. Hellboy tem os “genes” de demônio, mas foi criado como outra espécie, como um humano e age como nós. Seria um traidor da sua raça ou não teve escolha por ter sido criado assim?

O genoma dá os parâmetros, que serão trabalhados pelo ambiente. Os genes não são implacáveis, mas dão sim possibilidades e limitações que serão testadas e alteradas pelo ambiente. Ambos interagem e se completam.

Assim, a biologia não pode resolver o problema do grandalhão vermelho. Peço desculpas.

Come agora ou quer que embrulhe?

Até aqui só revelei do filme o que está escrito nas sinopses. Não contei nada que estrague o filme se você quiser assisti-lo. Mas este trecho é pra quem já viu ou pra quem gosta de ler o final do livro antes de chegar ao fim (comportamento que eu nunca vou entender).

Outra parte que me chamou atenção foi a pergunta que uma criatura faz à mocinha quando Hellboy está morrendo em seus braços: “Sabendo que o destino dele é destruir o mundo, mesmo assim você quer que eu o salve?” Claro que a romântica Liz (Selma Blair) quer seu namorado de volta.
Mas que maldita, condenar a humanidade simplesmente para não ficar solteira?! Bom, duas coisas aí: Primeiro ela pode não acreditar em destino; e segundo, ela está pensando no imediato mais seguro, ao invés de apostar no futuro incerto. É a mesma atitude de quem faz esportes radicais que envolvem certo risco, por exemplo. Tem gente na Psicologia Evolucionista que estuda este tipo de atitude, chamada de “desconto de futuro”:

“E por que preferir pelo mais imediato seria adaptativo? Porque a reprodução prévia normalmente produz taxas mais altas de descendentes em vez da reprodução tardia (…). Além disso, quanto mais tardia for a procura por recursos ou benefícios, maior será o risco de perdê-los por completo, pois o animal pode morrer antes ou o recurso ficar indisponível. Como resultado a indiferença em relação ao futuro pode encorajar formas imprudentes e violentas de tomada de risco.

Esta indiferença é a base do princípio do Desconto de Futuro. (José Henrique B. P. Ferreira, revista Psique no 21)”

Ou seja, na dúvida, melhor garantir comendo agora do que pedir para viagem. Nunca se sabe o que pode acontecer no caminho.

Darwin e Hellboy: separados no nascimento

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