
Aqui vai a dica do Gabriel (grande colaborador do Citrus e do RNAm) para quem é de Sampa, e a seguir meu comentário sobre a mesa redonda que ocorreu na abertura da exposição dia 23/09.
Seguindo o post anterior, em que se debateu a importância da intenção sobre a estética em uma obra de arte, gostaria de recomendar a seguinte exposição que teve sua estréia hoje (24.09) em São Paulo - SP. As informações aqui contidas podem ser vistas também no site da própria entidade que sedia o evento, clicando AQUI.
A exposição, chamada “Paisagens Neuronais”, está aberta para visitação no Instituto Cervantes, e conta com 70 fotografias e ilustrações que demonstram a evolução do conhecimento sobre o sistema nervoso, com imagens compiladas desde o início do século 20 até os dias de hoje. São imagens resultantes do uso de técnicas tradicionais, e também do que há de mais moderno no campo científico.
Com o objetivo de se criar um “link” explícito entre arte e ciência, ao lado de cada imagem foi colocado um texto criado por um artista (pintores, escritores, filósofos), especialmente para esta ocasião, visto que a mostra é uma homenagem ao centenário do Prêmio Nobel de Medicina conquistado pelo espanhol Santiago Ramón y Cajal em 1906, e já foi exibida em Barcelona. O prêmio veio da hipótese do pesquisador sobre a organização neuronal, sugerindo que a comunicação entre neurônios ocorresse através de ligações específicas, hoje conhecidas como sinapses, ao invés de organizarem-se como uma teia contínua, como dizia o paradigma da época.
A mostra “Paisagens Neuronais” fica em São Paulo até 15/11, e em seguida depois dirige-se para Melbourne, Nova York, Chicago e Jerusalém.
Quando? 24.09.2008 a 15.11.2008
A mostra pode ser visitada nos seguintes horários:
Segundas-feiras - 8h as 20h
Terças a sextas-feiras - 8h às 21h
Sábados - 9h às 15h
Onde?
Instituto Cervantes
Av. Paulista, 2439 - São Paulo
(Metrô Consolação)
Impressões sobre a exposição
Fui ver a mesa redonda de inauguração da exposição juntamente com minha assistente para assuntos fotográficos e artísticos, Marina.
Esteticamente muito legal. Imagens realmente fantásticas. Só que desde a época da arte moderna, arte não tem necessariamente que ser bela. E nem tudo que é belo, é arte.
O pai da neurociência moderna, Santiago Ramòn y Cajal, homenageado pela exposição, ganhou o prêmio Nobel por seus estudos sobre a estrutura microscópica do cérebro, numa época que não tinha microscópios eletrônicos. Até mesmo a fotografia estava engatinhando. Como mostrar para os outros o que se estava vendo? Ora, era só desenhar! E era isso mesmo que se fazia naquela época.
E ninguém fazia isto melhor que Cajal. Por quê? Por causa da sua frustrada carreira de pintor. Seu dom pela pintura, somada a obrigação imposta pelos pais de fazer medicina, geraram este especialista com olhos de cientista e mãos de pintor. A figura da postagem é um exemplo de seus trabalhos.
Claro que isto não é arte, e Cajal não pode ser considerado um artista no sentido estrito. Afinal a motivação dele é objetiva, informativa. Não podia ser pessoal como a arte exige.
Mas o que justifica chamar a exposição presente de artística? Justamente os comentários que estão ao lado das fotos. Mostrando o que estas imagens inspiram em um leigo em neurociência.
Uma senhora chegou a se emocionar ao ver uma foto de uma célula em corte e preto e branco. “Eu trabalho com rochas, e é incrível como esta foto é um perfeito pedaço de mármore”, disse ela.
Estimular impressões pessoais. Isto é arte.