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Citrus

Posts em ‘neurociências’

Condicione seu colega de trabalho

27
set

A muito tempo, um médico russo chamado Pavlov tinha um cão. E toda vez que Pavlov alimentava o cão se tocava um sino. Tanto que depois de um tempo o cão salivava só por ouvir o som do sino.

Isso me diz uma coisa importante: comportamento e fisiologia estão intimamente ligados. Mente e corpo seriam realmente separados como se imaginava na época de Pavlov? Tudo leva a crer que não. E o ambiente tem um papel fundamental no nosso comportamento.

Aqui segue um novo experimento de condicionamento que você pode fazer no conforto do seu próprio escritório!

(dica do Paulo, uma releitura de Pavlov no The Office, a melhor comédia da atualidade)

A Beleza Inerente à Ciência

24
set


Aqui vai a dica do Gabriel (grande colaborador do Citrus e do RNAm) para quem é de Sampa, e a seguir meu comentário sobre a mesa redonda que ocorreu na abertura da exposição dia 23/09.

Seguindo o post anterior, em que se debateu a importância da intenção sobre a estética em uma obra de arte, gostaria de recomendar a seguinte exposição que teve sua estréia hoje (24.09) em São Paulo - SP. As informações aqui contidas podem ser vistas também no site da própria entidade que sedia o evento, clicando AQUI.

A exposição, chamada “Paisagens Neuronais”, está aberta para visitação no Instituto Cervantes, e conta com 70 fotografias e ilustrações que demonstram a evolução do conhecimento sobre o sistema nervoso, com imagens compiladas desde o início do século 20 até os dias de hoje. São imagens resultantes do uso de técnicas tradicionais, e também do que há de mais moderno no campo científico.

Com o objetivo de se criar um “link” explícito entre arte e ciência, ao lado de cada imagem foi colocado um texto criado por um artista (pintores, escritores, filósofos), especialmente para esta ocasião, visto que a mostra é uma homenagem ao centenário do Prêmio Nobel de Medicina conquistado pelo espanhol Santiago Ramón y Cajal em 1906, e já foi exibida em Barcelona. O prêmio veio da hipótese do pesquisador sobre a organização neuronal, sugerindo que a comunicação entre neurônios ocorresse através de ligações específicas, hoje conhecidas como sinapses, ao invés de organizarem-se como uma teia contínua, como dizia o paradigma da época.

A mostra “Paisagens Neuronais” fica em São Paulo até 15/11, e em seguida depois dirige-se para Melbourne, Nova York, Chicago e Jerusalém.

Quando? 24.09.2008 a 15.11.2008

A mostra pode ser visitada nos seguintes horários:
Segundas-feiras - 8h as 20h
Terças a sextas-feiras - 8h às 21h
Sábados - 9h às 15h

Onde?

Instituto Cervantes
Av. Paulista, 2439 - São Paulo
(Metrô Consolação)

Impressões sobre a exposição

Fui ver a mesa redonda de inauguração da exposição juntamente com minha assistente para assuntos fotográficos e artísticos, Marina.

Esteticamente muito legal. Imagens realmente fantásticas. Só que desde a época da arte moderna, arte não tem necessariamente que ser bela.  E nem tudo que é belo, é arte.

O pai da neurociência moderna, Santiago Ramòn y Cajal, homenageado pela exposição, ganhou o prêmio Nobel por seus estudos sobre a estrutura microscópica do cérebro, numa época que não tinha microscópios eletrônicos. Até mesmo a fotografia estava engatinhando. Como mostrar para os outros o que se estava vendo? Ora, era só desenhar! E era isso mesmo que se fazia naquela época.

E ninguém fazia isto melhor que Cajal. Por quê? Por causa da sua frustrada carreira de pintor. Seu dom pela pintura, somada a obrigação imposta pelos pais de fazer medicina, geraram este especialista com olhos de cientista e mãos de pintor. A figura da postagem é um exemplo de seus trabalhos.

Claro que isto não é arte, e Cajal não pode ser considerado um artista no sentido estrito. Afinal a motivação dele é objetiva, informativa. Não podia ser pessoal como a arte exige.

Mas o que justifica chamar a exposição presente de artística? Justamente os comentários que estão ao lado das fotos. Mostrando o que estas imagens inspiram em um leigo em neurociência.

Uma senhora chegou a se emocionar ao ver uma foto de uma célula em corte e preto e branco. “Eu trabalho com rochas, e é incrível como esta foto é um perfeito pedaço de mármore”, disse ela.

Estimular impressões pessoais. Isto é arte.