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Citrus

Posts em ‘Comportamento’

Dança dos Cientistas: o Faustão compra e idéia?

16
out

Dança dos cientistas. Taí um bloco do Faustão que não ia dar muita audiência.

Será mesmo?
Apesar de muita coisa bizarra que se vê na TV, um pouco de psicodelia a serviço da educação e da ciência não faria mal pra ninguém. Pelo menos não seria pior que Dança dos Famosos ou Marisa e Silvio Santos.

Termina hoje a inscrição para o concurso “Dance seu PhD”. Você que tem um doutorado ou está no caminho de ter um pode participar (lembrem-se, falo de doutorado de verdade, não esses dotô adêvogado que só tem OAB, hehe). É só gravar um vídeo, por no youtube e enviar pros caras.

Mais infos aqui.

E para comentários sobre o que aconteceu no concurso e os vídeos do ano passado acesse o RNAm. Vale a pena.

Mas nenhum deles chega aos pés do grande musical dos anos 70 “Síntese Protéica: um épico no nível celular”. (é a partir dos 3min que começa a ficar bom.)

Épico ou patético, não sei dizer ainda. Os anos 70 foram realmente muito estranhos…
É isso que dá quando o departamento de Química quer ganhar pontos com a reitoria e se junta com o departamento de Artes e Comunicação.
UHU!!!

Lixo de mundo/mundo de lixo

15
out

Esta postagem e foto são de autoria de Glenn Makuta

Fui convidado pra escrever sobre qualquer coisa que estivesse relacionado aos dois primeiros posts (este e este), podendo ser um texto filosófico ou mesmo links interessantes comentados para o blógue.

Então vamos começar por um texto qualquer:

Senso de coletividade do brasileiro
ou lixo de mundo/mundo de lixo

O senso de coletividade é uma característica que definitivamente não faz parte de nossa cultura. Podemos ver isso minuciosamente em tantos momentos de nosso cotidiano que se tornaria cansativo enumerar todos eles, mas darei alguns exemplos bem ilustrativos.
Poderia falar da política, na qual qualquer um citaria a corrupção, mas poucos dizem que a corrupção é uma mera conseqüência da cultura e pensamento do brasileiro ― o jeitinho brasileiro do qual tantos se orgulham ―, não a causa de um problema… mas falarei de “lixinhos na rua”.

Qualquer um já viu uma outra pessoa jogando uma embalagem de bala na rua. E qualquer um já ficou quieto ao ver tal cena. Podem imaginar a mesma cena com uma diversidade virtualmente infinita de formas, tamanhos e materiais descartados.
As pessoas comumente, ao limpar o quintal (muitas vezes lavando-o com uma mangueira), simplesmente empurra o lixo (papéis, plásticos e afins que possam se acumular na frente de uma casa) para a calçada, ou no máximo empurram-na até a sarjeta e pronto. Na cabeça das pessoas o lixo deixou de ser responsabilidade delas e passou a ser um problema de domínio público o qual nada tem a ver com elas.
E tem vezes que é pior: a pessoa está entrando em casa e vê um papel caído ali no quintal. ela faz o esforço de se agachar e pegar, mas ao invés de levá-lo até o cesto de lixo, dirige-se até o portão, estende o braço para a calçada e descarta o lixo ali mesmo, sem peso na consciência.

Já estava pensando em escrever sobre outras questões do lixo, mas um episódio me fez pensar sobre isso: estava na USP andando com um professor (nascido e criado na europa) e passamos por uma capa de guarda-chuva. O que você faria? Provavelmente a ignoraria. Eu mesmo faria isso. Mas esse professor voltou pra pegar a capa de chuva e deixou na guarita do instituto, dizendo que “é um dever cívico, pois ali não ajudaria a ninguém”.

É engraçado, mas pensei em que argumento usaria se coletasse aquilo, que naquele contexto se caracterizava como um lixo. Eu daria a desculpa de que seria por uma causa ambiental, ou mesmo que seria uma feiúra estética e que por isso deveria ser retirada dali, mas novamente digo, isso caso eu me prontificasse a remover aquela capa, nem isso fiz.

Confesso que é difícil pensar no coletivo quando somos criados a perceber que somos importantes para nós mesmos, muitas vezes deixando de perceber o outro. E quando percebemos ficamos criando desculpas mirabolantes para justificar algo que, por um acordo tácito, deveria ser feito por todos.
Mais uma vez volto à questão (pessoal) primordial de entender até onde vai minha liberdade e em que ponto começa a do outro, assim como a dificuldade de entender o custo dessa liberdade.

Confesso que ser um animal cabeçudo e social não é fácil.

- Glenn Makuta