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Citrus

Posts em ‘arte’

As melhores imagens de ciência de 2008

2
out

A algum tempo já estamos abordando o tema das imagens de ciência, ou visualização científica, perguntado se isso é arte, e chegando a questão profunda de “o que é arte”.

E falando nisso, aconteceu a pouco tempo o “VI Desafio Anual Internacional de Visualização Ciêntifica e de engenharia” (sixth annual International Science & Engineering Visualization Challenge). Organizado pela revista Science e pela National Science Foundation dos EUA.

E o mais legal, não são só fotos, mas também ilustrações, infográficos, multimídia interativa e multimídia não-interativa. Todas ferramentas valiosas para que nós possamos entender mais o mundo das diversas áreas científicas.

Aqui uma reportagem da folha a respeito.

O que achei mais legal:

- Fotografia - A Floresta de Vidro

A vencedora (no topo do desta postagem). Os triângulos verdes são criaturas marinhas chamadas diatomáceas,  que fazem fotossíntese e produzem 40% do oxigênio da Terra (toma essa Amazônia!). Elas usam na sua estrutura o mesmo material do vidro, a sílica. E a parte marrom é o corpo de um invertebrado marinho no qual a diatomácea está instalada.

- Ilustração - Zoom na Corrente Sanguinea Humana
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Esta ilustração mostra como uma imagem pode valer mais que mil palavras (desculpe pelo clichê).
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Localizamos muito bem o que está sendo mostrado, no contexto do corpo.

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- Multimídia interativa-Explorando as Origens

Explore com imagens e animações as explicações mais aceitas hoje em dia sobre a origem da vida. Tem uma linha do tempo bem bacana também.

- Infográfico - Chá do Chapeleiro Maluco

Besouros tomando chá? Isso não está no livro Alice no País das Maravilhas. Mas poderia estar. Usando micrografias, uma ilustradora montou esta cena fantástica. Na base há uma descrição do que é cada elemento na composição.

Quando a arte e a ciência se encontram

30
set

Mais uma contribuição da fotógrafa Marina Piedade:

Arte e ciência se misturam? Sim, o tempo todo. A partir do século XIX, as máquinas, a tecnologia e a ciência começaram a fazer parte do cotidiano das pessoas e, lógico, também começaram a fazer parte da arte.

A invenção da fotografia em si é o retratar do mundo a partir de um ponto de vista objetivo, livre da mão do pintor (ou pelo menos assim se acreditava nos tempos de Daguerre). E de lá pra cá a ciência colaborou cada vez mais com a arte.

Com o surgimento das tecnologias virtuais, as possibilidades se expandiram e ainda estão sendo exploradas. A simulação, a substituição do real pela realidade virtual, transforma as relações entre imagem, sujeito e objeto. O espectador se torna parte integrante e fundamental da obra.

Nesse tipo de arte, que interage diretamente com a ciência, hibridação é a palavra de ordem. É a mistura do código binário com o gesto expressivo.

Mas por mais enriquecedoras que essas relações sejam, arte não é ciência, nem vice-versa. Na arte, é necessário substituirmos as certezas da ciência pelas incertezas da sensibilidade.

A imprevisibilidade é parte integrante de muitos trabalhos, que interagem tanto com o acaso e com a autônima dada ao espectador quanto com a precisão da ciência.

Arte e tecnologia
Acabou esse mês no Itaú Cultural a exposição Emoção Art.Ficial 4.0 – Emergência! Os trabalhos da mostra unem arte e tecnologia e foi o fator de imprevisibilidade que os uniu. Eles partem da precisão da ciência para interagir com o acaso e com a autonomia do espectador. A partir de regras simples surgem os resultados inesperados.

As carpas de Vivan Caccuri interagem com a música do ambiente, pois, ao se movimentarem, alteram o som captado dos tocadores de Mp3 conectados ao trabalho pelos próprios espectadores. Isto é possível graças a um software que modifica o som em tempo real de acordo com o movimento dos peixes.

A obra Ultra Nature do mexicano Miguel Chevalier, exposta na Estação Paraíso do metrô, é composta por um painel de 9m X 3m, onde cresce um jardim virtual. O desenvolvimento das diferentes plantas é determinado pelo público que interage com a obra através de sensores.

Links:

A Era da Simulação - entrevista com o artista Edmond Couchot sobre arte, ciência e técnica.

Fotografia e Ciência - todas as postagens deste especial Arte e Ciência

A Beleza Inerente à Ciência

24
set


Aqui vai a dica do Gabriel (grande colaborador do Citrus e do RNAm) para quem é de Sampa, e a seguir meu comentário sobre a mesa redonda que ocorreu na abertura da exposição dia 23/09.

Seguindo o post anterior, em que se debateu a importância da intenção sobre a estética em uma obra de arte, gostaria de recomendar a seguinte exposição que teve sua estréia hoje (24.09) em São Paulo - SP. As informações aqui contidas podem ser vistas também no site da própria entidade que sedia o evento, clicando AQUI.

A exposição, chamada “Paisagens Neuronais”, está aberta para visitação no Instituto Cervantes, e conta com 70 fotografias e ilustrações que demonstram a evolução do conhecimento sobre o sistema nervoso, com imagens compiladas desde o início do século 20 até os dias de hoje. São imagens resultantes do uso de técnicas tradicionais, e também do que há de mais moderno no campo científico.

Com o objetivo de se criar um “link” explícito entre arte e ciência, ao lado de cada imagem foi colocado um texto criado por um artista (pintores, escritores, filósofos), especialmente para esta ocasião, visto que a mostra é uma homenagem ao centenário do Prêmio Nobel de Medicina conquistado pelo espanhol Santiago Ramón y Cajal em 1906, e já foi exibida em Barcelona. O prêmio veio da hipótese do pesquisador sobre a organização neuronal, sugerindo que a comunicação entre neurônios ocorresse através de ligações específicas, hoje conhecidas como sinapses, ao invés de organizarem-se como uma teia contínua, como dizia o paradigma da época.

A mostra “Paisagens Neuronais” fica em São Paulo até 15/11, e em seguida depois dirige-se para Melbourne, Nova York, Chicago e Jerusalém.

Quando? 24.09.2008 a 15.11.2008

A mostra pode ser visitada nos seguintes horários:
Segundas-feiras - 8h as 20h
Terças a sextas-feiras - 8h às 21h
Sábados - 9h às 15h

Onde?

Instituto Cervantes
Av. Paulista, 2439 - São Paulo
(Metrô Consolação)

Impressões sobre a exposição

Fui ver a mesa redonda de inauguração da exposição juntamente com minha assistente para assuntos fotográficos e artísticos, Marina.

Esteticamente muito legal. Imagens realmente fantásticas. Só que desde a época da arte moderna, arte não tem necessariamente que ser bela.  E nem tudo que é belo, é arte.

O pai da neurociência moderna, Santiago Ramòn y Cajal, homenageado pela exposição, ganhou o prêmio Nobel por seus estudos sobre a estrutura microscópica do cérebro, numa época que não tinha microscópios eletrônicos. Até mesmo a fotografia estava engatinhando. Como mostrar para os outros o que se estava vendo? Ora, era só desenhar! E era isso mesmo que se fazia naquela época.

E ninguém fazia isto melhor que Cajal. Por quê? Por causa da sua frustrada carreira de pintor. Seu dom pela pintura, somada a obrigação imposta pelos pais de fazer medicina, geraram este especialista com olhos de cientista e mãos de pintor. A figura da postagem é um exemplo de seus trabalhos.

Claro que isto não é arte, e Cajal não pode ser considerado um artista no sentido estrito. Afinal a motivação dele é objetiva, informativa. Não podia ser pessoal como a arte exige.

Mas o que justifica chamar a exposição presente de artística? Justamente os comentários que estão ao lado das fotos. Mostrando o que estas imagens inspiram em um leigo em neurociência.

Uma senhora chegou a se emocionar ao ver uma foto de uma célula em corte e preto e branco. “Eu trabalho com rochas, e é incrível como esta foto é um perfeito pedaço de mármore”, disse ela.

Estimular impressões pessoais. Isto é arte.

Arte não, “Visualização Científica”. Mas e Duchamp?

19
set

"A Fonte" de Duchamp, e a micrografia do menor penico do mundo

"A Fonte" de Duchamp, e a micrografia do menor penico do mundo

Quando um pesquisador faz um experimento, ele quer VÊR o resultado. Coisa as vezes muito difícil no mundo científico, já que os objetos de estudo podem ser muito pequenos, ou muito grandes ou invisíveis mesmo. Mas muitas técnicas foram surgindo ao longo do tempo para resolver este tipo de problema. Transformar o infinitamente pequeno e invisível em algo que nossos olhos possam captar. Assim vemos o resultado, e às vezes ele é bonitinho. Muito bonitinho.

Felice Frankel que o diga. Pesquisadora do MIT ela já fez várias capas para grandes revistas científicas (Nature, Science, Physics Today). A imagem do Post-prólogo desta série sobre fotografia é dela. Mesmo tendo ganhado fama com este tipo de trabalho, ela afirma que isto não é arte. O nome correto seria “Visualização Científica”.

“Não é arte porque se trata de um fenômeno”, diz ela. “Arte tem mais a ver com o criador, não necessariamente com o conceito na imagem.” (entrevista no New York Times, via Cocktail Party Physics)

Concordo. Mas daí eu fui à exposição do Marcel Duchamp, e a minha cabeça explodiu.

Fora de contexto

Esse cara é o artista mais influente dos séculos XX e XXI, e tudo se deve a pergunta que ele fez e que mudou o mundo da arte: “Pode alguém fazer obras que não sejam ‘de arte’?”
O que ele fez: pegou objetos comuns, como um mictório, o assinou e o colocou num museu. Pronto, virou arte! A obra chamada “Fonte” se justifica por tirar o vaso do banheiro e mudar o seu contexto.

Logo, se colocarmos uma imagem de visualização científica neste blog, ela passa a ser arte?
Só mudar de contexto já basta, ou deve haver um conceito ou uma emoção por trás da imagem de arte?

Independente destas respostas, para o pesquisador sempre haverá uma relação emocional com a imagem, mais pelo resultado que pela estética. Por exemplo a alegria ao fotografar uma onça na calada da noite com uma câmera-trap, ou desapontamento pleno quando sua célula está marcada com um lindo vermelho, quando na verdade o resultado esperado seria o verde.

Fotografia e ciência: Prólogo

19
set

ciencia x arte

de Felice Frankel

Linda esta foto aqui em cima, não?!
Pena não ser uma obra de arte.

Pelo menos não de acordo com a sua criadora. Afinal isto nada mais é que uma foto de um experimento com magnetismo: 7 imãs sobre um papel amarelo com um líquido magnético em cima. É o líquido preto que toma estas formas em resposta aos imãs.

Vez ou outra aparecem experimentos com imagens estonteantes:

  • Micrografias de microscópios de varredura são sempre interessantes

  • Células com sondas fluorescentes para marcar moléculas específicas

  • Fotos de estudos de zoologia ou ecologia com animais em poses muito elegantes ou exóticas

Muito estético, mas é arte?

Este é a primeira de uma série de postagens sobre este tema fotográfico. Usaremos todo nosso networking de artistas, fotógrafos e afins para responder a estes pobres cientistas “quando uma foto é arte e quando é apenas um dado?”

Assim, quem sabe, possamos começar a responder uma pergunta maior: que raios é arte, e como a ciência pode interagir com ela?

Leia as postagens neste assunto:

Arte não, “Visualização Científica”. Mas e Duchamp?

Arte é intenção

A Beleza inerente à Ciência

Quando Arte e Ciência se encontram

A Bíblia vista pelo Google Earth

18
set

Como assim? O Édem e o dilúvio são só parabolas do antigo testamento?

Mas eu vi fotos do Google Earth!

Moises abrindo o mar

barca de Noé

barca de Noé

crucifixão

crucifixão

É, não se pode acreditar nem no Google…

Calma, claro que são trabalhos de arte. Veja mais aqui.

Mas sempre duvide de seus olhos.